Deus é. Paradoxo.

 

Fé, esperança, amor. Isso encaminha-me para Deus.

Deus não é um ser sobrenatural ou sobrehumano. Deus torna-nos sobrenaturais aumentando a nossa capacidade de finalização, de realização. Os nossos dons.

Deus é. Porém, não do mesmo modo que nós somos.

Paradoxos. A resistência débil de uma fé grande e gorda ante uma fé ínfima, do tamanho de um grão de mostarda. Essa fé pequena que resiste e se mantém sem arredar pé ante o sofrimento, a frustração, e outros sentimentos que tais. A fé simples, despretensiosa, optimista — «Tudo correrá bem.». Aquela fé que nos areja a alma e nos ergue os braços.

«A fé não é um compêndio de opiniões acerca da natureza de quem a dá.»

Deus está fora de moda.

Associado a seitas, a dogmas obsoletos e a milagres fantasiosos, é arrastado para a lama pela ignorância e falta de bom senso. Os que se gabam da sua falta de religiosidade caem, várias vezes, no erro de alimentar o preconceito. Não conhecem o Texto. Não admiram o Texto. Criticam o Texto. Lembrar que ser crente não é condição necessária para admirar o Texto.

«Os Evangelhos não são relatos documentais de testemunhas imparciais, mas antes profissões de fé apresentadas sobre a forma de narrativas, que pretendem, mediante uma interpretação específica, dar “razão da nossa esperança”, de forma acessível, às pessoas em ambientes sempre diferentes.»

Deus não é polícia, não é pai conciliador, não é mágico, nem energia, nem «deus», ídolo.

A própria evolução do conceito de «Deus» dá azo a definições quase que arbitrárias nascidas das sementes da época.

«Nos séculos XVII E XVIII, os pensadores sentiam necessidade de encontrar e nomear um princípio específico, a partir do qual pudessem deduzir a origem e a actuação da máquina do mundo — e o conceito religioso de “Deus” ajustava-se bastante bem ao seu objectivo.»

Tal como desenhamos máquinas para procurar vida noutros planetas baseadas no nosso próprio conceito de vida, procuramos Deus baseados na imagem humanizada que concebemos Dele.

E se a vida existir assente noutro conceito? Não a encontraremos desse modo. Assim como não encontraremos Deus se continuarmos convencidos que Ele se revela numa espécie de ser sobrenatural, sobrehumano.

Nós, sim, nós somos seres sobrenaturais quando excedemos os nossos limites através da crença, da fé.

E, será o pensamento científico contrário ao pensamento religioso? Não. Não devem sequer ser percepcionadas como áreas antagónicas mas sim como complementares. O diálogo entre a Ciência e a Teologia é fulcral e deve ser feito através da Filosofia.

O autor incentiva-nos a pensar, a sair da nossa zona de conforto. E quando saímos… Sentimo-nos acolhidos, acolhidos por Algo inconcebível.

Deus é. Mas, não da maneira que nós somos. A reter.

Para quem quer ler e reler este livro, dar um olho a A Noite do Confessor — WOOK.

 

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2 Comments Add yours

  1. Rui C. Dias diz:

    Ótimo texto Sofia. Me lembrou umas ideias do Spinoza…as poucas que eu consigo entender (hehe).

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    1. sofiafsantos diz:

      Fico contente que tenha gostado. 🙂

      Gostar

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