Sch…

«Ia gritar-te, buzinar-te, quando qualquer coisa na maneira como estavas em pé a olhar o deserto, qualquer coisa na maneira como tinhas as mãos enfiadas nos bolsos, a cabeça ligeiramente inclinada de lado, o cabelo varrido pelo vento, me fez ficar quieto ao volante. (…) Aprendi que é preciso dar tempo aos outros para olharem. Se não fosse para isso, porque teríamos nós vindo ao deserto?»

Silêncio. Pálpebras pendem. Não forces. Ele virá.

«No teu Deserto» quis sucumbir ao sono solto. Abandono. Abandonar-te. Não. Contigo até ao fim. Ao fim da viagem.

«No teu Deserto» acampei. Enterrei as estacas, e a melancolia, forcei as mãos, e as recordações. Esperei. Esperei mais. Esperei mais de ti.

Fluidez, simplicidade, um quase romance, julgo um quase conto. Quase. Num português modesto, um sem esforço de história. Um polvilho de lembranças. Um Sahara que sabe, que cheira. Um deserto com levez. O afecto do autor numa não carta de amor.

Lido de um trago. Um golo de saudade. Um diálogo em silêncio. A não importância do que ficou por dizer. Ela morre. Ela morreu.

E o deserto pintou esse filme, essa narração de cinco semanas de viagem — ele, ela e um jipe.

A intimidade das intermináveis horas juntos, envoltos em areia. E vento. A bendita maldita fortuna quando as aventuras ainda o eram. Os mapas lidos a dedo, os telemóveis que de pouco serviam, um morrer sozinho sem saber onde. E anos passados, apenas as mesmas estrelas ornando o mesmo céu. E um mar de nada a dois.

«— Cláudia, não precisas de falar só porque vamos calados. A coisa mais difícil e mais bonita de partilhar entre duas pessoas é o silêncio.»

Se quer ler este livro no silêncio da sua casa, vá a No Teu Deserto — WOOK.

 

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2 Comments Add yours

  1. Lucie diz:

    Lembro-me de pegar nele e de o ler nos sofás de uma qualquer Fnac. Já não lembro é a história, as personagens. Que ficará de um livro não recordado?
    Beijinhos *

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    1. sofiafsantos diz:

      Fotógrafo/videografo numa viagem até ao Sahara com uma miúda muito mais nova que ele desconhecia. É um livro tão fácil que ainda assim nos consegue deixar naquele estado mole, vegetativo e confortável. É um livro-sofá. Dele nada fica a não ser uma vaga memória sensorial das horas almofadadas 🙂

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