Onde prosperam as emoções?

Com o advento, chegou a época de fazer o presépio. Eu e as minhas irmãs, mais os nossos respectivos companheiros, pegámos nos miúdos — a sobrinha, a melhor amiga e o vizinho — e fomos ao eucaliptal colher musgo. De início, detivemo-nos na beira da estrada. Armados de facas, revistas e caixotes descascámos a berma do caminho. Entretanto, como é normal nos pequenos, o foco desvaneceu-se e eles dispersaram-se. Dispersaram-se para onde? Para o meio dos eucaliptos. Fazer o quê? Segundo a minha sobrinha — descobrir os segredos da natureza.

Ora, o livro a que me tenho dedicado é de Michio Kaku. «O Futuro da Mente», assim se chama, explora isso mesmo — a mente. O que é a mente? O que é a consciência? Podemos reproduzi-la? Em quê se assemelha a inteligência artificial à nossa? Podemos construir robôs e atulhá-los de sensores que os ajudem a criar uma imagem do mundo. Mas podemos construir um robô com a mesma capacidade cerebral que nós? O que é que isso implica?

«Os cientistas estão a deixar de ser observadores passivos da Natureza e a começar a moldar activamente a Natureza. Isto significa que seremos capazes de manipular memórias, pensamentos, inteligência e consciência. Em vez de observarmos simplesmente os mecanismos intrincados da mente, no futuro será possível manipulá-los.

Por isso, respondamos agora à pergunta: é possível descarregar memórias?»

E se sim, conseguiremos descarregá-las para um ser inteligente para se tornar uma extensão de nós? E quando conseguirmos criar esses seres inteligentes, como nos distinguiremos deles? O que é que poderemos considerar o requisito essencial para se ser humano?

Descobrir os segredos da natureza é-nos inato. Somos curiosos por defeito. Descobrir os segredos da natureza é causa de espanto. É combustível poderoso para a nossa vontade de aprender. E se, com os avanços da biotecnologia, pudermos programar o ser humano para ser exímio na prossecução de tarefas? Onde fica o espaço para a aprendizagem e o assombro inerente? Será isso uma vantagem — inserir conhecimento programado na nossa espécie?

A impossibilidade socialmente atribuída a esta gama de tecnologias deve-se ao atraso no desenvolvimento de técnicas de engenharia e não à impossibilidade física. Devemos estar gratos por este atraso ou colmatá-lo?

A verdade é que a maioria das doenças que hoje consideramos epidémicas como a obesidade e o cancro são consequência do nosso desleixo ante as facilidades que o desenvolvimento tecnológico e económico nos proporcionou.

A verdade é que sujar as mãos com terra e dar um espirro, não é assim tão mau. Arranhar-se num galho quando se tenta trepar uma árvore não é o fim do mundo. Desligar a televisão de vez em quando não é um atentado ao bem-estar. No fim de contas, poderemos nós programar um robô para ser inteligente emocionalmente? Poderemos nos programar para sermos inteligentes emocionalmente?

«Neurocientistas como o Dr. António Damásio descobriram que, quando a ligação entre o lobo pré-frontal (que comanda o pensamento racional) e os centros emocionais (como o sistema límbico) está danificada, os doentes não conseguem emitir juízos de valor. Ficam paralisados, quando têm de tomar as decisões mais simples (o que comprar, quando marcar um encontro, qual a cor da caneta que devem usar). porque para eles tudo tem o mesmo valor. Por conseguinte, as emoções não são um luxo: são absolutamente fundamentais e, sem elas, o robô terá dificuldade em definir o que é importante e o que não é. Por isso, em vez de terem um papel periférico no progresso da inteligência artificial, as emoções assumem agora uma importância crucial.»

Onde prosperam as emoções?

A dos meus pirralhos prospera nessas experiências in vivo, nesse arregaçar de mangas e rasgar de calças, nessa tentativa de serem os Indiana Jones dos tempos modernos. E eu gosto. Gosto dessa linguagem de programação — o faz de conta.

Michio Kaku mostrou-me, através de uma linguagem acessível, o que há e o que pode haver, como somos e como poderemos vir a ser. E isso ajuda-me a escolher melhor. O conhecimento torna-nos mais livres e, por conseguinte, sendo Michio Kaku um divulgador de ciência exímio, é ele também um defensor acérrimo da liberdade.

Para quem quer embrenhar-se neste magnífico livro, aconselho a visita a O Futuro da Mente — WOOK.

 

 

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6 Comments Add yours

  1. Bruna diz:

    Muito interessante esse livro! Amo livros com essa temática, estou lendo um parecido em pdf 🙂

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    1. sofiafsantos diz:

      Qual, Bruna ? =)

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  2. Bruna diz:

    Na verdade, são dois livros que estou lendo kk: “O Cérebro de Alta Performance” e “Pense Melhor”. Ainda estou no início, mas acredito que ambas as obras têm algo em comum com O Futuro da Mente 😀

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    1. sofiafsantos diz:

      Não conheco =) São de quem? Em termos de Neurociências eu acho os livros do António Damásio um mimo. O Sentimento de Si e o Erro de Descartes ainda hoje são dos meus livros preferidos. Este é um pouco diferente, mais técnico. É o primeiro que leio de Michio Kaku e fiquei fã mesmo =D ❤

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      1. Bruna diz:

        Os autores são Luiz Fernando Garcia e Tim Hurson 😉 Estou me interessando cada vez mais por neurociencia, obrigada pelas indicações, fiquei curiosa pra ler esses livros! 😛

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      2. sofiafsantos diz:

        E eu vou pesquisar os teus ^^ não conhecia* 🙂

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