É um bom coração, Oz?

«”But is it a kind heart?”

“Oh, very!” answered Oz. He put the heart in the Woodman’s breast and then replaced the square of tin, soldering it neatly together where it had ben cut.

“There,” said he; “now you have a heart that any man might be proud of. I’m sorry I had to put a patch on your breast, but it really couldn’t be helped.”

“Nevermind the patch,” exclaimed the Happy Woodman. “I’m very grateful to you, and shall never forget your kindness.”

“Don’t speak of it,” replied Oz.

O Homem-de-lata enlatado ficou por amor, coração achou não ter. E, verdade, verdadinha, coração de carne e osso não tinha. O Homem-de-lata não dormia mas chorava. Ele não sabia que chorar implica sentir e que o coração não é só o músculo e o sangue que o atravessa. É o espírito que lhe pinta o corpo. É um coração bom? Oz assevera-lhe que sim.

De crianças ou não, este «conto-de-fadas moderno» como lhe chama Baum, o autor, é um discurso de incentivo à crença. Oz não faz magia. É um velho escondido atrás de uma farsa esverdeada, cuja esperteza o socorre e lhe promove a sorte.

Oz sabe que o Homem-de-Lata tem coração porque não se esqueceu do que é amar alguém. E que o Espantalho não sabe muito porque pouco viveu. Quando encontra Dorothy, apenas dois dias vivera. Apesar da palha que lhe acolchoa a cabeça, ele aprende, é curioso e procura o saber. Oz sabe que o conhecimento se adquire com tempo, mas o espantalho acha que a sua falta dele se deve à inexistência de cérebro. E quer um. Oz finge que lhe faz um. E o Espantalho fica feliz porque cérebro tem. Verdade se diga, sempre o teve.

O Leão acha que não tem coragem porque tem medo quando o mais corajoso é o mais medroso também. É ele que se retrai com qualquer barulho mas é também ele que salva os amigos e os desconhecidos. Oz finge que lhe dá coragem e o Leão sente-se corajoso.

Sente. Quantos de nós somos sem saber, ambicionamos ser o que já somos? Sofremos. E os pequenos sentem que sofremos e sofrem por nós. E por eles. Tentam acudir-nos a nós cuidadores de infantes e ser o que não fazem de conta que são.

Enquanto escolho os presentes a dedo, penso no que os fará reconhecer em si as qualidades que julgam não possuir. Aos meus pais penso no que lhes alumiará a alma terna, e às minhas irmãs penso no que lhes aconchegará o pensamento ocioso, ansioso e deprimido. Dê-lhes Oz uma luz, dê-lhes Oz, paz.

Duas semanas faltam para o Natal. Que me falta se não um pedaço de coragem. Oz? Sinto-me ignorante. Oz? Que é da paciência e persistência, Oz?

Oz, tenho um bom coração?

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